Financiamentos habitacionais atingem R$ 47 BI em fevereiro

O volume de crédito bancário deve crescer cerca de 25% no ano e atingir 40% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão foi feita hoje pelo Banco Central (BC), ao divulgar que, em fevereiro, os empréstimos e financiamentos atingiram R$ 957,581 bilhões ou 34,9% do PIB, maior patamar desde maio de 1995 (35,1%), embora ainda abaixo do pico de 36,8% nessa relação, atingido em janeiro de 1995.

A se confirmar a previsão, o Brasil ainda terá um volume de crédito bem inferior ao de economias européias, do Chile, México ou Estados Unidos, onde essas operações superam 60% do PIB, informou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele discorda dos analistas que dizem que o crédito bancário está muito elevado no país.

A questão é o ritmo do crescimento do crédito. Mas no caso brasileiro, as taxas são razoáveis para uma economia que tinha bases muito baixas, disse Lopes. O crédito cresce forte no país, mas o volume ainda é inferior ao de outras economias, continuou, lembrando que se o aumento em 2008 for de 25%, ficará abaixo da variação anual registrada em 2007, quando cresceu 27,3% sobre o período anterior.

Lopes evitou comentar declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse estar preocupado com o ritmo de crescimento do crédito no país. Insistiu que, no global, o crédito cresce a taxas confortáveis, citando a variação mensal de 1,1% registrada sobre janeiro.

Ele destacou que há modalidades com ritmos mais vigorosos, como o leasing, que subiu 5,2% no mês passado, sendo 8,4% apenas nas operações para aquisição de veículos por pessoas físicas, que registram alta acumulada de 96% em 12 meses até fevereiro.

Segundo Lopes, tal demanda está em linha com a expansão de 37% (fevereiro contra fevereiro de 2007) nas vendas do setor automotivo, onde o leasing representa a segunda forma de pagamento (30%), atrás apenas dos financiamentos diretos a longo prazo (38%).

Fonte atual de preocupação, por exemplo, da economia americana, o crédito imobiliário no Brasil tem volume pouco significativo no conjunto, embora também esteja em expansão. Os dados do BC apontam que os financiamentos habitacionais atingiram R$ 47,05 bilhões (excluindo grandes empreendimentos) em fevereiro, volume equivalente a 1,7% do PIB. O saldo dos contratos com pessoas físicas somaram R$ 2,54 bilhões, com aumento mensal de 10,1% e de 95,7% em 12 meses.

Na avaliação do técnico do BC, além do ritmo de crescimento do crédito, o que pode preocupar é a inadimplência, sobre a qual tanto as instituições financeiras quanto a autoridade monetária devem ficar vigilantes. Ele destaca, porém, que a despeito do crescimento do crédito e da incorporação de novos demandantes que aumentam o risco, a inadimplência está constante, a taxas comportadas há algum tempo.

Considerando atrasos superiores a 90 dias, segundo o BC a taxa média de inadimplência estava em 4,3% em fevereiro, o menor nível dos últimos dois anos.
Levantamento preliminar do BC em março até o dia 12 mostra evolução de 2% no volume de crédito livre sobre fevereiro, com alta de 2,8% para empresas e de 1,1% nas linhas direcionadas a pessoas físicas.

Fonte: Valor Econômico

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